Soluções inteligentes
para a gestão do varejo.
Observador
Anuncie aqui
Observador
Observador
Observador
Observador
Observador
Anuncie aqui
Observador
Observador
Anuncie aqui
Observador
Observador
Observador
Anuncie aqui
ARTIGOS
Notícia

Definindo o Diagrama de Pareto

O gráfico de Pareto (também chamado de “diagrama” em alguns livros) é uma ferramenta para ajudar a focalizar os esforços de melhoria. Ela é útil sempre que classificações gerais de problemas, erros, defeitos, feedback de clientes etc., puderem ser classificados para estudo e ações posteriores. Seu propósito não é o de identificar causas. Outras ferramentas, tais como gráficos de controle, gráficos de dispersão e experimentos planejados podem ajudar a identificar as causas.

Alguns exemplos nos quais ele pode ser útil para classificar problemas são:

Uma peça que falha em um teste devido a um componente defeituoso.
Lotes de produtos químicos podem estar abaixo do padrão para muitas especificações diferentes.
Cobranças podem estar incompletas devido à falta de muitos tipos de informação.
Há vários tipos de problemas que os hóspedes enfrentam em um hotel.
Com frequência algumas poucas classificações dominam (os “poucos vitais”), enquanto que todo o resto (os “muitos triviais”) contribuem apenas com uma pequena proporção. A fim de melhorar um processo, é importante encontrar quais são as poucas áreas vitais de problemas.

Como aplicar o Gráfico de Pareto?

Um dos objetivos centrais de um programa de qualidade é reduzir perdas provocadas por itens defeituosos que não atendem às especificações. Existem muitos tipos de defeitos que fazem com que um produto não atenda às especificações. Concentrar esforços no sentido de eliminar todos os tipos de defeitos não é uma política eficaz. Devemos focar nos tipos de defeitos que são responsáveis pela maioria das rejeições, sendo mais eficaz atacar as causas desses poucos defeitos mais importantes, daí a necessidade de utilizarmos o gráfico de Pareto.

Vamos supor que uma empresa de embalagens precisava reduzir custos com peças defeituosas encontrados em sua produção. Como a empresa não sabia por onde começar decidiu-se utilizar o conceito do Gráfico de Pareto para analisar quais defeitos ocorriam com maior frequência. Durante duas semanas os dados foram coletados, resultando no gráfico a seguir:


Note que é muito fácil observar no gráfico o que trabalhar primeiro. Defeitos do tipo “não selagem” são responsáveis por mais de 80% de todos os defeitos! Fica claro que a equipe de melhoria deve começar por aí. Se quiserem dar mais foco ainda, podem começar pelo defeito de “não selagem no topo”, pois apenas esse tipo de defeito é responsável por mais de 40% dos defeitos totais.

Como analisar o Gráfico de Pareto?

No exemplo anterior, no eixo vertical, utilizamos a frequência das ocorrências com que ocorriam os defeitos, porém outras opções também podem ser utilizadas.

Vamos observar esta outra situação: Um cliente cujo negócio era a distribuição de sistemas de automação estava interessado em reduzir o quanto era gasto com cada fornecedor para trocar peças que apresentavam defeitos em campo. Para tanto eles coletaram durante um mês, todos os sistemas que precisaram ser trocados e qual era o fornecedor desse sistema. Eles sabiam também que existia uma grande diferença entre os preços, com sistemas simples que custavam R$ 300,00, até sistemas complexos cujo custo era R$ 2.000,00.


Nesse caso cada defeito foi multiplicado pelo custo (o que é uma estratégia comum na utilização de gráficos de Pareto) do seu sistema e essa variável foi utilizada para a construção do Pareto. Com essa análise foi possível focar no fornecedor D, uma conclusão bem diferente do que obteríamos se olhássemos apenas a frequência.

Construindo um Gráfico de Pareto

Para a sua equipe de melhoria a fazer uma boa análise de dados através da construção de um gráfico de Pareto, devem cumprir as seguintes etapas.

Passo 1: Entenda o que você quer analisar com o gráfico.

Todo gráfico de Pareto tem uma finalidade. Entender o que você quer resolver com ele é fundamental para você decidir qual dados você precisa coletar. Nos exemplos acima, demos dois exemplos sobre como formular o problema (analisando o tipo de defeito mais frequente e o fornecedor mais custoso). Decidir qual dessas análises seguir é o passo inicial da construção do gráfico de Pareto.

Passo 2: Colete os dados

Só se faz um Pareto com dados. Para você coletar bons dados, você pode se valer de outras ferramentas, como formulários de coleta de dados ou folhas de verificação. Complete um “Formulário de Planejamento para Coleta de Dados” . Essa etapa de planejamento é importante para construir um gráfico de Pareto porque leva a equipe a considerar:

Questões a serem respondidas
Informações a serem registradas
Variáveis para estratificação
Definições operacionais
Duração e local para coleta de dados, e
Administração
Desenvolva uma lista de verificação simples que satisfaça as considerações assinaladas no passo 2. Os dados podem ser classificados por tipo de problema ou defeito, departamento, local, tempo, tamanho e outros. Uma vez que tenham sido coletados dados suficientes (pelo menos 30 ocorrências), passe para o passo 3.

Passo 3: Organize os dados coletados

Compile os dados que você coletou. Você pode já contar a frequência de cada defeito (ou seja lá o que estiver analisando no gráfico de Pareto) e montar uma tabela, ou então, caso esteja usando um software como o Minitab, pode compilar os dados no formato de banco de dados.

Passo 4: Desenhe barras com as frequências organizadas da maior para a menor (da esquerda para a direita)

Caso esteja usando o Excel, você pode criar esse gráfico de barras a partir da planilha de dados. No Minitab, esse passo e os próximos irão ser realizados automaticamente.

Passo 5: Insira um gráfico de linha com as porcentagens acumuladas de cada classificação

Para isso, você terá que calcular a porcentagem de frequência de cada “defeito” relativa ao número total de defeitos. Uma vez que estas porcentagens estejam calculadas, você deverá traçar o gráfico de linha.

Passo 6: Analise seu Pareto

Uma vez finalizado o gráfico, veja se há alguma classificação se sobressaindo. Caso haja, podemos dizer que se aplica o princípio de Pareto nela? Monte seu plano de ação e comece as melhorias!

Como estratificar os dados do Gráfico de Pareto?

Algumas vezes as classificações de dados podem ser sistematicamente subdivididas, ou estratificadas, por meio de técnicas de análise de Pareto, a fim de aprimorar a investigação sobre onde focalizar os esforços de melhoria. Por exemplo, em “Erros em Relatórios de Despesas”, uma questão poderia ser “Quanto que as áreas diferentes estão contribuindo para cada tipo de erro?” Essa pergunta pode ser respondida usando qualquer um dos seguintes três métodos para estudar estratificação usando análise de Pareto:

Mostre vários gráficos de Pareto colocando-os lado a lado.
Subdivida dentro das barras. Use sombras ou hachuras para distinguir entre as subclassificações. Use o bom senso no que diz respeito a quantas subclassificações colocar dentro das barras – muitas barras tornam a interpretação difícil.
Coloque as barras representando as subclassificações lado a lado dentro da classificação principal listada no eixo horizontal. Essa técnica é eficaz quando existem duas ou três subclassificações e quando a ordenação das classificações é a mesma para quase todas as classificações. As barras adjacentes representando as subclassificações devem ser agrupadas e contrastadas por sombreamento.
O melhor método de estratificação depende de qual método permite que os dados sejam facilmente interpretados.

Como aproveitar ainda mais o Gráfico de Pareto?

Existem muitas opções para o eixo vertical nos gráficos de Pareto. A escala mais comum é a do número de ocorrências. Três alternativas importantes são:

Valor monetário
Tempo
Contribuição percentual de cada classificação para o total (tempo, ocorrências, dinheiro etc.).
A escala de tempo é apropriada se o objetivo for o de reduzir o tempo parado. Ao se decidir sobre onde focalizar os esforços de melhoria usando análise de Pareto deve-se considerar cuidadosamente uma escala apropriada. Frequentemente vários gráficos de Pareto devem ser preparados com escalas diferentes.

Como a estabilidade afeta o Gráfico de Pareto?

De forma similar às outras ferramentas usadas para investigar e melhorar processos (por exemplo, gráficos de frequência), o gráfico de Pareto tem que ser usado com conhecimento adequado da estabilidade da característica medida. Se o processo for estável, o gráfico de Pareto mostra os importantes modos de falha ou classificações de problema produzidos pelo sistema de causas comuns. Se o processo for instável, deve ser feita a estratificação dos dados para separar os dados obtidos quando causas especiais estavam presentes dos dados produzidos por causas comuns. Assim, a análise de Pareto pode ser feita para as duas situações.

Uma escala percentual usualmente é apropriada para comparar os estratos, uma vez que o número de observações em cada grupo pode ser drasticamente diferente. Além disso, gráficos de Pareto podem ser usados para mostrar o efeito de uma mudança em um processo ao usar dados tanto de antes quanto de depois da implementação da mudança.

O que é o Gráfico de Pareto das Causas?

Podemos questionar se as classificações escolhidas apresentam as informações mais úteis e podemos questionar a precisão das contagens, mas se estivermos confiantes nesses dois pontos o gráfico de Pareto tem um significado definido para todos os membros da equipe.

Outro uso do gráfico de Pareto é o de resumir dados a respeito das “causas” de um dado efeito. Apesar de gráficos de Pareto para “causas” serem usados comumente, é preciso tomar alguns cuidados especiais. Como exatamente podemos interpretar esse gráfico?

A determinação de “causas” requer o julgamento de um perito, algumas vezes usando ferramentas de qualidade tais como gráficos de controle, gráficos de dispersão ou planejamento de experimentos. Sempre que declararmos que sabemos a “causa” de algo devemos considerar qual é o grau de nossa crença. Ele é alto, baixo ou algo no meio?

Quais dados e quais análises estamos usando para apoiar nossa crença sobre o sistema de causa?

Deve-se notar que entender “causas” é uma coisa bem diferente de simplesmente colocar uma observação em uma de várias categorias que nós mesmos fornecemos. Grandes desperdícios e perdas podem resultar de pensar que sabemos o sistema de causas quando, de fato, tudo que tínhamos era uma opinião pobremente fundamentada, tornada ainda mais perigosa por sua apresentação “autorizada” como dados em um gráfico.

Outro problema surge quando tentamos usar a análise de Pareto para resumir nosso conhecimento do sistema de causas. Com frequência não existe uma causa única ou dominante. Por exemplo, um produto pode ter ficado com defeito devido a uma combinação de matéria prima ruim, ferramentas desgastadas e técnicas operacionais ruins. Mesmo supondo que somos capazes de produzir uma estimativa razoável para a contribuição de cada um desses fatores, como relataremos isso em nosso gráfico de Pareto?

Uma contagem em cada categoria? Uma contagem de um terço (1/3) em cada categoria? Frequentemente um efeito será causado por uma interação de causas. Por exemplo, um processo pode ser capaz de produzir um bom produto com matérias primas de qualidade inferior ou com uma ferramenta já meio gasta, mas o processo produzirá defeitos quando ambos estiverem presentes ao mesmo tempo. Como listaríamos as causas desse efeito? Essas são questões que têm que ser consideradas cuidadosamente antes de se usar um gráfico de Pareto para resumir conhecimentos sobre o sistema de causa.

O que você deve saber sobre o Gráfico de Pareto?

Um gráfico de Pareto é usado para priorizar esforços de melhoria. Sempre que uma equipe não estiver certa sobre onde focalizar os esforços de melhoria deve usar uma análise de Pareto.
A ferramenta é aprimorada pela consideração cuidadosa das oportunidades de estratificação e de valores significativos para a escala vertical.
O conhecimento relacionado à estabilidade do processo também torna o gráfico de Pareto uma ferramenta mais valiosa.
Se um gráfico de Pareto for usado para estudar “causas” de um efeito, o(s) método(s) para se determinar as causas devem ser indicados como parte do gráfico.
Para finalizar, um pouco de história do gráfico de Pareto

Joseph Juran, um dos pioneiros em trabalhos na área de Qualidade, encontrou um padrão de distribuição dos tipos de defeitos de certo produto. Após diversas análises, ele chegou a conclusão de que em grande parte das iniciativas de melhoria, poucos tipos de defeitos eram responsáveis pela maioria das rejeições (poucos vitais), ou seja, 80% dos problemas de qualidade de uma peça são causados por 20% dos tipos de defeitos. Da relação entre esses dois trabalhos foi criado o conceito de Pareto. Joseph Juran cunhou o termo “Gráfico de Pareto” no início da década de 90.

O nome se originou do trabalho de Vilfredo Pareto (1848-1923), que foi pioneiro no esforço de enunciar uma lei de distribuição de rendimentos. Em essência, ele descobriu que 80% da riqueza estava concentrada em cerca de 20% da população. O termo se tornou amplamente usado na indústria depois de sua proeminência nas Mesas Redondas de Gerenciamento conduzidas na Universidade de Nova York no início da década de 40.

Por isso o princípio de Pareto com frequência é chamado de “Regra 80/20”.

Fonte: FM2S (com algumas adequações).